Veículos eléctricos podem levar a mais emissões de CO2 por lacunas legislativas

Publicado em 12 de Novembro de 2009 |

Os veículos eléctricos podem conduzir a mais emissões de dióxido de carbono devido a lacunas na legislação europeia, segundo um estudo divulgado em Portugal pela organização ambientalista Quercus.

De acordo com as conclusões deste trabalho, divulgado em simultâneo em Portugal e outros países europeus, “bons resultados exigem opções certas nos transportes e energia”.

Apesar do importante papel que estes veículos podem ter na redução da poluição, a legislação europeia apresenta “lacunas que poderão conduzir a um aumento do uso de petróleo e das emissões poluentes no sector dos transportes”, revela o documento com chancela da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), de que a Quercus faz parte.

Os autores do relatório afirmam que os limites de emissão de CO2 para os veículos novos, acordados pela União Europeia (UE) em Dezembro de 2008, incluem o conceito de “supercréditos”, o que permite aos fabricantes da indústria automóvel venderem mais três veículos com elevado consumo de combustível (como os jipes) por cada carro eléctrico vendido.

“A esta lacuna na legislação europeia acresce que os veículos eléctricos são contabilizados como tendo emissões zero, apesar de a electricidade que utilizam poder ser proveniente de combustíveis fósseis altamente carbónicos, como o carvão, ou discutíveis do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, como o nuclear”, lê-se no texto divulgado também em Bruxelas.

Os especialistas alertam que os fabricantes que escolham actuar no mercado dos veículos eléctricos, de modo a atingir os objectivos da UE, terão de fazer “um menor esforço”para reduzir as emissões dos veículos convencionais, ou seja, na prática o resultado será “o aumento das emissões de CO2 e do consumo de petróleo”.

A Quercus e a T&E apelam para a correcção desta situação e pedem normas mais restritivas para a emissão de CO2 e eficiência energética nos veículos.

O problema, dizem, tem sido a indústria e o poder político confiarem em “tecnologias de sonho”, em vez de estabelecerem objectivos realistas para melhorar a eficiência nas emissões de CO2 e no consumo de combustíveis.

“Hidrogénio, biocombustíveis e o próprio interesse inicial nos veículos – todos falharam redundantemente por diferentes razões, embora tenham em comum o facto de terem sido uma distracção para o poder político, impedindo-o de se concentrar em pressionar os fabricantes de veículos na melhoria da eficiência dos veículos em todos os sentidos”.

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