Tecnologia Mobi-e desperta interesse em vários países

Publicado em 10 de Outubro de 2011 |

Considerado já um caso de estudo, o sistema de gestão do programa Mobi.E é único no mundo e há já países da Europa interessados na sua implementação.

Portugal é o único país do mundo em que o utilizador de um veículo eléctrico pode carregar o seu automóvel em qualquer ponto utilizando para isso um único cartão.

Esta tecnologia, criada de raiz por empresas nacionais, permite um sistema de gestão integrada, com informação actualizada, que está na base do modelo de negócio da mobilidade eléctrica definida para o País, afirmou Luís Reis, gestor da mobilidade da Inteli, no painel de abertura do Fórum Lisboa – Cidades de Futuro sobre a Mobilidade Eléctrica, que decorreu no final do mês passado em Lisboa. Este responsável afirmou perante uma atenta plateia que Portugal possui “um sistema de mobilidade eléctrica único e reconhecido a nível mundial, sendo já considerado um caso de estudo”, garantindo ainda que as empresas envolvidas estão prestes a exportar a tecnologia para países como Holanda, Irlanda, Noruega e Malta.

O projecto Mobi.E, apresentado há dois anos, é um programa integrado de incentivo à mobilidade eléctrica em Portugal, que passa pelo apoio à aquisição de veículos eléctricos e pela instalação de uma rede de carregamento alargada.

O primeiro posto de carregamento foi colocado no Parque das Nações em Junho de 2009, e desde então, o projecto tem vindo a ganhar asas, até chegar aos 1.300 postos previstos em todo o território nacional.

“Contudo, há que continuar a melhorar, tanto no incentivo directo para a aquisição como nas infra-estruturas de uso doméstico. Lisboa deve transformar-se num laboratório vivo de investigação para atrair novos investimentos”, disse o gestor da Inteli. O sistema Mobi.E foi desenhado para estar presente em 25 cidades nacionais. Na capital, os postos de carregamento estão em funcionamento em 44 locais de estacionamento, com 114 tomadas disponíveis.

Segundo o director técnico e financeiro da Lisboa E-Nova, Miguel Águas, até ao final do ano prevê-se que a rede seja alargada até aos 149 locais, num total de 456 tomadas.

Tiago Farias, administrador da EMEL, outro dos oradores deste Fórum, afirma estar confiante na implementação do veículo eléctrico. No entanto, apresentou vários factores que poderão ser um impedimento à sua massificação.

“Temos que ver que qualquer tecnologia automóvel demora pelo menos uma década a implantar-se”, começou por referir.

Para o administrador da EMEL, o automóvel tem ainda que ser competitivo em termos de preço para poder ser comercializado. “O Prius está à venda há 14 anos e só agora começa a ter algum impacto”, exemplificou.

O veículo eléctrico ainda tem muitos entraves, como é o caso do tempo da autonomia da bateria, que dá para 100 e 200 quilómetros e implica seis a oito horas de carregamento.

Além disso, a grande maioria das pessoas está satisfeita com os veículos actuais. “O automóvel é um promotor de mobilidade. Não é comprado para ser uma ferramenta de sustentabilidade”, afirmou. No entanto, Tiago Farias admitiu que “tudo aponta para que, em breve, os veículos eléctricos sejam mais baratos, mais eficientes e um símbolo de sustentabilidade e de inovação”. Para o responsável, os veículos eléctricos são uma peça essencial para dar resposta aos desafios na mobilidade urbana.

Quando as pessoas se organizarem, o carro eléctrico será uma escolha. E Lisboa não poderá ficar para trás”, concluiu.

fonte: Económico

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *