Preparar a rede eléctrica para os veículos eléctricos

Publicado em 8 de Dezembro de 2009 |

O INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores) é o líder científico do projecto MERGE (Mobile Energy Resoures for Grids of Electricity) – o maior projecto de investigação com financiamento da EU, que vai preparar o sistema eléctrico europeu para a massificação da utilização de veículos automóveis eléctricos.

O objectivo deste projecto, orçamentado em 4,5 milhões de euros, consiste em encontrar soluções que minimizem a necessidade de reforço de infra-estruturas das redes eléctricas e dos sistemas electroprodutores, de modo a evitar sobrecustos que teriam que ser suportados pelos utilizadores dos veículos eléctricos.

A viabilidade deste novo paradigma de mobilidade assenta no carregamento nocturno das baterias, por corresponder aos períodos em que a rede eléctrica está menos carregada, e de preferência quando existir também disponibilidade de recursos energéticos renováveis para a produção de electricidade.

Enquanto líder científico do projecto MERGE, o INESC Porto vai contribuir para a construção de um sistema “inteligente” que adapte os carregamentos das baterias dos veículos eléctricos à disponibilidade dos recursos energéticos e da infra-estrutura das redes eléctricas, tendo em conta as características dos sistemas eléctricos europeus.

O projecto MERGE pretende também viabilizar economicamente a implementação da infra-estrutura que permite o abastecimento em electricidade dos veículos eléctricos na Europa. Maximizar a utilização de energias renováveis para o carregamento das baterias dos veículos eléctricos é outro dos objectivos do MERGE.

O consórcio do projecto MERGE, o maior projecto de investigação europeu do 7º Programa-Quadro (2007-2013) destinado a avaliar o impacto no sistema eléctrico de uma utilização em larga escala de veículos eléctricos na Europa, envolve 16 empresas e instituições de IDT europeias e o MIT (EUA). Neste projecto participa também a REN – Redes Energéticas Nacionais.

O MERGE está também atento à situação em Portugal, sendo que o INES aqui pode actuar com mais conhecimento de causa. Para já, o sistema electroprodutor português é caracterizado pelos líderes do projecto como tendo uma «forte componente renovável», pelo que poderá «assegurar a produção de mais electricidade a partir de fontes de energia verdes».

Portugal é, assim, visto como um país-modelo para a implementação de carros eléctricos: «Este tipo de os veículo pode ser mais amigos do ambiente do que em outros países, nomeadamente na Europa Central, que está fortemente dependente de combustíveis fósseis para a produção de electricidade.

Uma das linhas orientadoras do MERGE consiste em minimizar a necessidade de investimento no reforço das infra-estruturas da rede eléctrica existente, bem como do parque produtor de energia eléctrica. «Evitam-se, desta forma, também um conjunto de sobrecustos que acabariam por ter que ser suportados pelos utilizadores dos veículos eléctricos».

Segundo o INESC, esta nova realidade implica a emergência de dois novos modelos de negócio no mercado energético: «Substituição rápida /carregamento rápido de baterias (em estações de serviço especiais que terão que ser entretanto criadas para servir os novos veículos eléctricos) e carregamento lento de baterias (em parques públicos, privados ou mesmo nas casa do cidadão comum).

Uma das razões porque este projecto se torna especialmente importante em Portugal passa pela forte aposta na energia renovável no nosso país, o que permite assegurar a produção de mais electricidade a partir de fontes de energia “verdes”. Portugal tem uma consideravelmente menor dependência nos combustíveis fósseis que os restantes países da Europa.

Para além do impacto europeu, João Peças Lopes (responsável pelo projecto) realça o importante papel que este projecto na imagem nacional. “O sistema científico português tem capacidade para liderar esta área. A atribuição deste projecto dá-nos claramente um papel de liderança científica, para além de toda a visibilidade que nos dá”. O director do INESC Porto espera que com esta aposta, Portugal se situe cada vez mais na vanguarda da inovação tecnológica. “Isto é uma grande oportunidade para a indústria. Estamos no limiar de uma nova Revolução Industrial”.

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