O futuro (também) passa por aqui: Automóveis Elétricos

Publicado em 18 de Outubro de 2012 |

Em Abril, depois de uma sugestão do Joel Vaz, convidei os leitores do blog a participarem num questionário que tinha como objectivo dar inputs para uma tese de Mestrado sobre veículos eléctricos. Este questionário, integrado na tese do Mestrado em Marketing pretendia aferir o conhecimento dos Portugueses relativamente aos automóveis eléctricos percebendo qual o perfil do potencial consumidor do automóvel eléctrico.

O inquérito foi muito bem-sucedido, tendo obtido cerca de 800 respostas. Na altura ficou também combinado que os resultados seriam aqui publicados. Na impossibilidade de se reproduzir aqui toda a tese, publicamos um resumo da mesma, com as principais conclusões. Questões adicionais poderão sempre ser colocados ao Joel Vaz [ joelpvaz @ gmail.com ]. Segue-se um resumo:

Senhores do Governo o futuro (também) passa por aqui: Automóveis Elétricos
Green Marketing: As pessoas irão comprar automóveis porque se preocupam com o ambiente ou porque se preocupam com as suas carteiras? corresponde a um estudo no âmbito do Mestrado em Marketing realizado por Joel Vaz na Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão e que divulga agora as principais conclusões obtidas sobre o estado actual do automóvel eléctrico tanto na perspectiva de interesse para o consumidor português como na perspectiva nacional enquanto potencial sector de inovação de empresas portuguesas.

Este estudo que abrangeu um inquérito nacional a cerca de 800 pessoas e revela alguns pontos-chave sobre a situação actual e perspectivas do automóvel eléctrico.

De uma forma genérica a lenta expansão e uso do automóvel eléctrico deve-se essencialmente a três factores: Produtores de Automóveis Eléctricos, Perspectiva do Consumidor e Estado e Entidades Públicas.

Produtores de Automóveis Eléctricos:
O automóvel eléctrico é promovido essencialmente como um produto verde. Para além de ser uma classificação polémica (o automóvel eléctrico apenas poluí menos do que um automóvel a combustão se a energia utilizada para o mover tiver como origem fontes renováveis) tal não vai de encontro aquilo que o consumidor procura: o consumidor português procura o automóvel eléctrico principalmente como meio para reduzir os custos e impacto económico da utilização do automóvel, logo a comunicação feita é desajustada.

Apesar de 98% dos inquiridos neste estudo realizarem diariamente um percurso inferior a 150km, gera grande preocupação o fato da autonomia ser reduzida para quando tiverem de fazer deslocações superiores. Cabe também aos produtores resolver as principais questões que afectam o potencial consumidor: tempo excessivo que demora a carregar em circuito doméstico (cerca de 8 horas em média), falta de garantias sobre a prestação e durabilidade das baterias e o elevado custo de aquisição do automóvel eléctrico.

Perspetiva do consumidor:
O consumidor tem sempre razão e como tal não são os principais culpados da lenta integração do automóvel elétrico. As pessoas conhecem em grande maioria o automóvel eléctrico e considerariam positiva a sua entrada no seu dia-a-dia, estando inclusivamente dispostas a pagar mais pela sua aquisição em comparação com um automóvel comum (a maioria até mais 5.000€).

O consumidor preocupa-se com o ambiente mas a sua principal motivação é a possibilidade de reduzirem os custos que têm para se mover de automóvel.

Residentes em Beja e Bragança praticamente não têm conhecimento de postos de carregamento público de automóveis eléctricos. Porto, Braga e Aveiro são distritos em que os inquiridos se dividem entre os que conhecem e os que desconhecem postos de carregamento público. Naturalmente o desconhecimento de postos de carregamento público gera desconforto e torna-se num entrave à potencial compra e uso do automóvel eléctrico.

O actual cenário de crise económica influência significativamente a eventualidade de compra de um automóvel eléctrico.

Estado e entidades públicas:
Se por um lado o Estado pretende reduzir as importações de petróleo e equilibrar a balança comercial por outro lado não quer perder receitas importantes resultantes da venda de produtos petrolíferos. Resultado: falta de estratégia nacional de promoção, estudo, planeamento e apoio à venda de automóveis eléctricos.

Com o apoio de 5.000€ à compra de automóveis eléctricos (que vigorou até 2011) o automóvel eléctrico poderia ser apetecível a mais 62% da população em estudo, tendo em conta a importante vertente preço de aquisição.

Falta de apoio a empresas que pretendam investigar, inovar e trabalhar este novo sector que necessita neste momento de grandes transformações de forma a prosperar no mercado global. Isto significaria uma oportunidade única numa área que promete ser preponderante a curto prazo e que neste momento está em crescimento.

A escassez de postos de carregamento aliado à energia eléctrica demasiado cara tendo em conta os custos de produção em Portugal influenciam negativamente a venda de automóveis eléctricos.

Em suma, verifica-se que o automóvel eléctrico é parte do futuro, mas carece neste momento de inovação. Empresas portuguesas poderiam entrar neste novo mercado, uma vez que o país possuí excelente mão-de-obra e capacidade de criação e inovação que poderia marcar a diferença neste novo mercado, caso existissem apoios.

A falta de estratégia nacional para a mobilidade e energia e a incapacidade de resposta em tempo útil aos novos desafios mundiais podem levar a que, mais uma vez, o país seja ultrapassado e desperdice oportunidades únicas num mercado em que tem à partida condições perfeitas para singrar, inovar e produzir.

O consumidor português está pronto para o automóvel eléctrico, é necessário apenas dar-lhe melhores condições para que a motivação se traduza em compra efectiva.

O automóvel eléctrico deveria ser como tal considerado uma prioridade estratégica de cariz económico e ambiental (pelo menos o ar que se respira nas cidades teria melhor qualidade) e é urgente encarar a problemática energética de frente, respondendo com vigor aos desafios do presente, construindo soluções que valorassem o país e permitissem promover as exportações nacionais de produtos e serviços ligados ao mercado do automóvel eléctrico.

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