Não há paciência

Publicado em 19 de Outubro de 2012 |

Não há paciência! Depois de meses de silêncio sobre o programa de mobilidade eléctrica do governo, veio agora um senhor, que pelos vistos tem o cargo de Secretário de Estado da Energia, com umas ideias completamente diferentes do anterior executivo e que vão contra os desenvolvimentos que têm sido feitos por todo o mundo. Mais um iluminado!
Artur Trindade assegurou que o governo não desistiu do programa de mobilidade eléctrica, antes está a repensá-lo de forma diferente.

Segundo o governante, “o carro eléctrico não morreu, está a ser objecto de uma cirurgia estética, tem é de mudar de face”. Este governo não concorda com o modelo assente nos carregamentos na via pública, que hoje praticamente não são utilizados.

Artur Trindade, falou numa conferência da Apren – Associação Portuguesa de energias renováveis, lembra que “o que estava a ser desenvolvido era um modelo de carregamento na via pública”, que, segundo o actual secretário de Estado da Energia, não é adequado.

“Os cálculos dos projectos [da mobilidade eléctrica] revelavam que ficava muito mais caro este sistema do que carregá-lo simplesmente nos escritórios, nos centros comerciais e nas nossas casas”, comentou Artur Trindade, afiançando que “isto não é ser contra o veículo eléctrico”.

Então, mas ninguém informou este senhor que o Mobi-e não são apenas postos de carregamento na via pública? Trata-se sim, de uma rede de carregamento inteligente, presente em todo o território nacional e acessível por todos os utilizadores. É uma rede centrada no utilizador e compatível com todas as marcas de veículos, permite repor os níveis de energia dos veículos eléctricos, mediante a utilização de um cartão de carregamento. Mais do que um conjunto de postos de carregamento, a tecnologia da rede MOBI.E permite ao utilizador localizar e seleccionar locais de carregamento, planear trajectos e saber o estado de carregamento do seu veículo. Ou seja o utilizador não anda à procura dos postos como ele pretende insinuar. Este sistema permite ser um sistema complementar ao que ele preconiza e que já todos os utilizadores de veículos eléctricos usam – carregamento em casa e nos escritórios.

Então e agora, o que vai fazer? Retirar os postos de carregamento das ruas? Bonito serviço… Depois vem o Carlos Zorrinho (que já veio rebater a tese deste senhor) no próximo governo e volta a coloca-los! Enquanto isto cria-se mais uma empresa do estado para retirar os postos de carregamento. Quanto tempo vai demorar o governo a repensar a mobilidade?

Durante muito tempo (no tempo do Sócrates) o Mobi-e tinha tecnologia que ia ser exportada. Ainda ontem anunciamos que um dos parceiros do Mobi-e, a Efacec, lançava o primeiro posto de carregamento no Brasil. Será que no Brasil também estão enganados?

Nada como recordar agora algumas notícias do passado, como o contrato de 25 Milhões ganho pela Efacec nos EUA, ou o Mobi-e exportado para a Noruega (estão enganados na Noruega?), Quantos do governo foram mostrar o Mobi-e a Detroit? O Mobi-e já não é um caso de estudo? Ainda há pouco mais de um ano se considerava que Portugal tinha “capacidade institucional, tecnológica e humana” para ser um sucesso internacional e tornar Portugal “líder no mercado” no âmbito da mobilidade eléctrica.

É certo que Portugal está numa situação difícil, não há dinheiro para as necessidades mais básicas, quanto mais para investir no Mobi-e e mobilidade eléctrica. A diferença é que pode-se dizer as coisas de maneira diferente, não é agora vir por em causa anos de investimento e projectos das empresas e institutos mais conceituados a trabalhar nesta área: Efacec, Critical Software, Novabase, Siemens, Inteli e mesmo o CEIIA.

Os consumidores não compraram mais carros eléctricos porque todo o sector automóvel está em crise. Ou a quebra de 50% na venda de automóveis não conta? Ninguém está a vender carros e os que se vendem são para renovar frotas como a do grupo parlamentar do PS. Os incentivos acabaram, não foram pagos a tempo, os impostos são enormes, o Sr Secretário de Estado estava à espera de quê?

Sobre os lugares de estacionamento eles são ocupados pelas viaturas normais, na verdade nem tiram lugares convencionais, quer seja nas áreas residenciais ou à frente de edifícios como o da EDP. Toda a gente pode constatar isso.

Alguém que explique a este sr que o carregamento em casa, nos escritórios, etc não é incompatível com o Mobi-e? sugiro a criação de uma comissão para que possa ir explicar a todos os países que a mobilidade eléctrica com carregamento nas vias públicas é um erro.

Não há paciência para tanta incompetência.

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