Sem dúvida que a escolha de Portugal pela Nissan para a instalação da fábrica de baterias de iões de lítio é importantíssima para a nossa economia. O investimento de 160 milhões de Euros é apenas um aspecto do projecto integrado, que passa ainda pela introdução do Nissan Leaf no mercado e de toda a gama Renault Zero-Emissões.
Nessa altura, quando a fábrica estiver a produzir, e esta nova geração de veículos eléctricos a ser comercializada, o estado Português deverá ter já construído cerca de 1300 postos de abastecimento para veículos eléctricos.
Segundo referiu Carlos Tavares, vice-presidente da Nissan, um dos aspectos principais para a escolha de Portugal terá sido a convergência de visões entre o Governo e a Nissan nesta área, tendo Portugal conseguido cativar a aliança Renault-Nissan. A existência de apoios financeiros locais à venda dos veículos também foi crucial.
Sobre a escolha de Cacia em Aveiro, foi essencialmente escolhida pois já havia infra-estruturas da Renault, permitindo melhorar a eficiência operacional e financeira da nova fábrica. Outro factor que entrou em linha de conta foi de carácter logístico. É preciso ter em conta que as baterias são muito pesadas, pelo que se vai utilizar toda a estrutura já existente na unidade Renault para as operações de exportação.
A Nissan vai iniciar a produção de baterias de forma global, sendo que estão previstas 50 mil unidades em Portugal, 60 mil no Reino Unido, 100 mil em França, 200 mil nos Estados Unidos e 50 mil no Japão, o que faz cerca de meio milhão de baterias por ano.
Referindo-se ainda aos carros eléctricos, Carlos Tavares, refere que o custo por kilómetro será cerca de 25% do custo de um modelo com motor combustão. Mesmo em relação ao preço do Leaf, estima-se que o custo de utilização seja inferior ao de um veículo do segmento C, incluindo todas as despesas, nomeadamente os seguros.
Questionado sobre o que move a Nissan, num contexto de crise do sector automóvel a investir tanto nos veículos eléctricos, Carlos Tavares refere que é uma decisão estratégica, no sentido de dar à companhia um futuro. Existem dois factores essenciais: o primeiro deles reside no aquecimento global e, nesse sentido, temos de reconhecer que todos os construtores fizeram grandes esforços no sentido de reduzir as emissões de CO2. O segundo factor, que é também determinante, reside na certeza de que, quando a economia recuperar, o preço do petróleo vai disparar a toda a velocidade. Neste contexto, o veículo eléctrico terá cada vez mais vantagens económicas.
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