História dos veículos eléctricos

Publicado em 14 de Setembro de 2009 |

Apesar de se voltar a falar nos veículos eléctricos, estes não são recentes, ao contrário do que se possa pensar. Os primeiros veículos eléctricos foram desenvolvidos em França e Inglaterra nos finais da primeira década do séc. XIX. Entre 1832 e 1839 (o ano exacto é incerto), um homem de negócios escocês Robert Anderson inventou a primeira carruagem eléctrica.

Um dos primeiros modelos eléctricos – o Phaeton, da Wood, de 1902 – custava 2000 USD, tinha uma autonomia de 29 km e uma velocidade máxima de 22 km/h. Os veículos eléctricos detiveram durante algum tempo os records de velocidade e autonomia nos inícios de 1900. Um dos mais notáveis registos foi a quebra da barreira de velocidade dos 100 km/h, por Camille Jenatzy, no dia 29 de Abril de 1899, no seu veículo em forma de foguete, Jamais Contente, que conseguiu uma velocidade máxima de 105.88 km/h.

O desenvolvimento da indústria automóvel foi enorme e no início do séc. XX já existiam veículos eléctricos, a gasolina e a vapor. Os veículos eléctricos eram os mais procurados dada a ausência de cheiro, vibrações, ruído e algo tipicamente americano – não necessitavam de mudanças (os veículos a vapor também não tinham mudanças, mas tinham outras desvantagens fáceis de imaginar e das quais destacamos a espera de 45 minutos para pegar o motor numa manhã fria). Por exemplo em 1900 havia um total de 2370 automóveis em Nova Iorque, Chicago e Boston, sendo que 800 desses automóveis eram eléctricos. Apenas 400 desses automóveis eram a gasolina, sendo os restantes 1170 a vapor, uma tecnologia popular na altura. O preço normal dos carros na altura rondava os 1000 USD, mas os veículos eléctricos andavam pelos 3000 USD, em 1910, dado o nível de sofisticação do seu interior. A sua produção teve o seu pico em 1912.

O veículo eléctrico sofreu a concorrência do motor a combustão desde o início do século XX. Apesar de ter sempre estado, tecnologicamente, bem à frente em termos de eficiência, sofria do problema da autonomia, do tempo de carregamento e do preço das baterias.

O declínio do veículo eléctrico deu-se com a melhoria das estradas e acessos que requereriam uma autonomia maior do que a simples e curta deslocação no centro das cidades e com a descoberta do petróleo no Texas que reduziu o preço da gasolina. Charles Kettering, em 1912, inventou a ignição eléctrica, eliminando assim a necessidade de “dar à manivela”. Henry Ford iniciou a produção em massa de veículos de motor de combustão interna (Ford Modelo T) e a vendê-los a preços entre os 500 e os 1000 USD, enquanto o preço dos veículos eléctricos continuava a aumentar. Por esta altura a utilização de veículos eléctricos reduziu-se a algumas funções de transporte específicas.

O desaparecimento do veículo privado eléctrico desapareceu por volta da década de 1930 e ressurge apenas nas décadas de 1960 e 1970 com a crise do petróleo e consequente necessidade de encontrar alternativas ao uso da gasolina. A evolução até ao presente tem sido em grande parte fomentada pelos tratados, regulamentos e medidas internacionais para a redução das emissões de gases de efeito estufa e mais recentemente com as políticas de desenvolvimento sustentável.

Os veículos híbridos apareceram também como alternativa imediata, já que reduzem o consumo de gasolina e ao mesmo tempo continuam aos “olhos do público” a ser a mesma coisa, sem grandes necessidades de adaptações ou alterações.

Um dos acontecimentos marcantes da história mais recente foi a criação da Tesla Motors em 2003 e a colocação à venda do Tesla Roadster, mostrando que um carro eléctrico pode ser performante, apaixonante e um veículo de culto.

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