Consumptionomics – O carro eléctrico é um brinquedo para ricos

Publicado em 11 de Abril de 2011 |

O autor do livro “Consumptionomics”, Chandra Nair, deu uma entrevista à Lusa onde mostra, entre outras coisas, a sua visão sobre os carros eléctricos.

Depois de mais de 25 anos como consultor em diversas multinacionais, Chandra Nair, agora consultor ambiental e fundador do instituto de investigação Global Institute for Tomorrow, com sede em Hong Kong, decidiu escrever um livro que rejeita o modelo de crescimento mundial baseado no consumo que, afirma, causou a atual crise e levará a uma crise ainda maior no futuro.

Neste sentido, Nair considera que o carro eléctrico nunca resolverá os problemas de recursos naturais, nem de mobilidade das sociedades atuais. Segundo a sua visão, “O carro eléctrico é um brinquedo para ricos, que nunca será viável e que ilude cidadãos e governos, levando-os a acreditar que podem continuar sem reduzir o número total de carros”.

“Não são de todo uma solução global. São brinquedos para os ricos. Nunca será possível fazer o número suficiente destes carros para resolver o problema de emissões de dióxido de carbono e de segurança no acesso a recursos energéticos. Mesmo em países desenvolvidos, será muito difícil assegurar o acesso aos materiais”, afirmou Chandra Nair, em entrevista à agência Lusa.

“O carro eléctrico exige, para a sua construção, metais exóticos para as baterias, sobretudo lantanídeos, cujo abastecimento é já hoje problemático, uma vez que só podem ser explorados em poucos locais do mundo”, acrescentou.

Chandra Nair, que defende políticas que reduzam o número de carros em circulação, coloca sobretudo em causa a crença de que a inovação tecnológica permite negar a existência de limites à actividade humana.

“Para os construtores de automóveis e os governos extrapolarem, e sugerirem que não é necessário reduzir a propriedade de automóveis e todas as ineficiências que a acompanham, é uma pura mentira. E depois sugerir que os problemas que temos com o número de carros podem ser resolvidos pelo carro eléctrico, é uma fantasia”, afirmou.

Nair alerta ainda para a invasão das cidades pelos carros à custa dos direitos dos outros e criando, por isso, cidades muito mais extensas, onde as pessoas precisam de mais carros, num ciclo vicioso que parece irresolúvel.

Mais que o carro eléctrico, Chandra Nair vê na propriedade automóvel, e o consumo de recursos que o acompanha, um dos símbolos do que há de pior na sociedade consumo.

“Ter carro não é um dos Direitos Humanos”, concluiu, antes de acrescentar que “o carro eléctrico será apenas um brinquedo caro, demasiado caro para o proprietário automóvel médio, e nunca uma solução global”.

Como em tudo na vida, há opiniões para todos os gostos. Quanto à parte dos “brinquedos para ricos”, é certo que esta nova tecnologia ainda não está acessível a todos os bolsos, mas com a subida das vendas dos carros eléctricos e com novas tecnologias que vão surgir, os preços vão certamente baixar. Quanto desceram os preços dos plasmas desde que foram introduzidos no mercado?

Chandra Nair foca muitos dos problemas que se colocam na Asia com o desenvolvimento e com a criação de hábitos de consumo nestes países emergentes. Os interessados no livro podem aceder para comprar na Amazon no link seguinte, assim como ler críticas ao mesmo.

2 Responses to Consumptionomics – O carro eléctrico é um brinquedo para ricos

  1. Joao Afonso says:
    Sou dos que fico à espera que este tipo de veiculos apareça no automovel usado para o adquirir. É claro que só vai aparecer daqui a alguns anos, e os que aparecerem, serão os que menos interesse tem. Logo, estou condenado. E como eu imensa gente. A alternativa seria uma autentica politica anti-poluição que teria de passar, não pela manutensão dos lucros exorbitantes da industria automovel e tudo quanto a ela se liga, mas pela substituição dos actuais veiculos poluentes por outros que o não fossem. Sendo o eletrico uma alternativa. Enfim!
  2. Ramos da Veiga says:
    Concordo em quase todos os aspectos com Chandra Nair. Além de brinquedo para ricos, no veículo de tracção eléctrica autónomo continua por resolver o que considero fundamental, a autonomia. Não se pode pensar em generalizar um meio de locomoção onde a cada 150 ~ 200 km se demora 15 ou 20 minutos para se poder prosseguir viagem… Faça-se umas contitas e veja-se, com as ridículas velocidades máximas permitidas, a que média horária isso conduz. Além disso,todos nos debatemos já com a diminuição de autonomia dos nossos telemóveis ou computadores portáteis que, ao longo do tempo, baixam a sua autonomia para 2/3 ou menos. Reparem no que isto representa num automóvel. Isto tem como consequência que determinado cidadão vai necessitar de um veículo eléctrico que lhe permite deslocações relativamente curtas (e nisso é inegavelmente útil) e outro com motor endotérmico para cobrir distâncias maiores. Conclusão, é efectivamente, brinquedo de ricos. E os metais como Li, Ni, Cd…necessários às baterias e que são extremamente poluentes? E, por hoje, fiquemos por aqui!

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