carros eléctricos topo de gama excluídos dos subsídios

Publicado em 7 de Julho de 2010 |

Esta medida não esperava de um governo que se diz tão a favor da introdução dos carros eléctricos. Foi hoje noticiado que os subsídios do Estado à compra de veículos eléctricos pelas famílias portuguesas vão limitar-se a automóveis com um preço até 50 mil euros, segundo determina uma portaria que foi publicada em Diário da República. O diploma indica também que só será dado o apoio de cinco mil euros a carros com autonomia superior a 120 quilómetros.

Ao fixar um tecto de 50 mil euros, o Governo exclui alguns modelos topo de gama que deverão surgir no mercado nos próximos anos. É o caso do Audi e-tron, por exemplo, cujo preço de venda deverá ultrapassar os 140 mil euros. O principal visado para já parece ser o Tesla Roadster, que é um dos modelos eléctricos com maior autonomia no mundo, é vendido por mais de 100 mil euros, pelo que também ficará de fora dos apoios.

O que não se compreende é que se a medida é para os primeiros 5000 carros eléctricos, muito provavelmente eles serão vendidos num curto espaço de tempo como se espera, não afectando nunca os carros da marca Audi. Por outro lado ao impedir que quem compre o Tesla Roadster tenha acesso ao subsídio (que até nem é muito relevante para quem pretende gastar 100 000€ no carro), dá uma imagem péssima sobre a política do governo, impedindo assim que o veículo mais evoluído de todos e com maior autonomia fique de fora.

Outra curiosidade, é o facto de após comprar um veículo eléctrico, durante dois anos, o proprietário não pode vendê-lo a uma empresa ou a um particular que lhe dê um uso comercial. Se isso acontecer, o beneficiário do incentivo terá de devolver ao Estado os cinco mil euros.

As condições para usufruir do apoio de 5 mil euros:
– 100% eléctrico, até 50 mil euros e autonomia superior a 120km
– Usar o carro apenas para fins particulares
– veículo tem de ser um ligeiro de passageiros, não pode ser comercial ligeiro
– não dever ao fisco e à segurança social
– estar entre os primeiros cinco mil compradores

No meio de tantas restrições, uma boa notícia: será o stand a tratar do processo de candidatura ao subsídio, cabendo ao consumidor final o pagamento apenas do valor do veículo, já com desconto.

Gostaria de saber qual a opinião dos responsáveis da Tesla Roadster na península sobre este assunto. Grande política esta do governo!

7 Responses to carros eléctricos topo de gama excluídos dos subsídios

  1. Blastingcap says:
    Totalmente verdade. É uma vergonha este pais!!

  2. Rui Ribeiro says:
    Incentivos sempre fora de produtos de grande qualidade!!
  3. VC says:
    E deixarmos de ser velhos do restelo, não?

    Impedir que os ricos (quem compra automóveis de 100 000€) tenham acesso aos subsídios é dar uma imagem péssima das intenções do governo? Enfim… o mal-dizer está-nos no sangue.

  4. VEpt says:
    Como políticos, na altura em que determinaram e legislaram pela primeira vez sobre o assunto deveriam tê-lo feito tendo em conta todas as condicionantes que achassem por bem.

    Gastaram dinheiro dos contribuintes a legislar para corrigir o que fizeram anteriormente.

    Parece também que estão a condicionar o incentivo a certas marcas. E se um carro tiver uma autonomia de 100km? e o que determina os 120km de autonomia, é a autonomia real ou a dada pelo construtor?

    E se eu for um empresário em nome individual não posso usar o carro para trabalhar?

    O Renault kangoo eléctrico fica de fora? mesmo para particulares…

    enfim…tivessem feito bem à primeira… quando houver necessidade de dar os incentivos vem o PEC 2 a retirar…

  5. Joao Afonso says:
    Se a lógica do subsídio estatal à compra do carro eléctrico reside na diminuição do dióxido de carbono, como se apregoa, é absurdo restringir esse subsídio a 5000 veículos, já que estes mais não representarão que uma gota no oceano. Também o é limitá-lo a veículos para uso particular, já que estes, devido ao seu uso limitado, serão os que menos poluem. Por ultimo, sendo os veículos de alta cilindrada os que mais contribuem para a poluição ambiental, deviam figurar à cabeça na lista dos subsídios.

    A lógica desta politica não tem lógica alguma. Sendo, a meu ver, apenas e mais uma entre muitas operações de charme junto de um publico que na maioria dos casos se demite de pensar.

    Uma coisa é certa! Com ou sem subsídio atribuído por governos ou pelas próprias marcas, mais tarde ou mais cedo (quero crer que mais cedo) uma fatia significativa dos actuais utilizadores, terão inevitavelmente de optar por carros movidos a energias alternativas.

    Ou isso, ou andaremos a pé. O que até nos faz muito bem à saúde.

  6. Hélio Rodrigues says:
    Acho esta medida do governo muito boa! porque um subsidio é uma ajuda, e quem pode comprar carros superiores a 50.000€ não me parece que precise de ser ajudado…. Como se diz em bom português quem quer luxos que os pague. E os portugueses para dizerem mal e criticar sem razão alguma estão sempre prontos…. o problema é 99% dos que fazem criticas nem sequer apresenta soluções alternativas! só criticam. O governo fez muitas coisas boas também. Não fez só más! Muitos de vocês deviam era de deixar de ver tanta televisão… E isto é muito bem vindo.
  7. Paulo Lourenço says:
    Concordo com a limitação dos 50.000€, quem quer gastar mais é porque tem dinheiro para tal. limitar aos primeiros 5000 compradores, ai coloco as minhas reticencias, mas um incentivo é um incentivo e de certeza que não estavam a pensar no contributo para a diminuição da poluição ambiental o que seria muito “estúpido” por parte do seu criador (político incompetente). na minha opinião a politica ao “incentivo” poderia funcionar segundo os módulos dos incentivos de abate de automóveis antigos na compra de um novo que o Estado praticava, as marcas/concessionários praticam-na à imagem de promoções. e porque não praticá-lo também com os automóveis eléctricos? decerto que irá por acontecer.

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