Carro eléctrico diminui custos de mobilidade

Publicado em 26 de Novembro de 2009 |

Há ainda algumas dúvidas sobre como os veículos eléctricos e a sua penetração no mercado pode influenciar os custos de mobilidade e as emissões de CO2. O Gabinete para a Mobilidade Eléctrica de Portugal estima que os custos directos da utilização de veículos em Portugal podem cair para metade (dos actuais 11 mil milhões de euros) caso o parque automóvel inclua 50% de veículos eléctricos.

Em declarações durante a apresentação do Kangoo ZE, o primeiro veículo eléctrico da Renault a rolar em Portugal, a coordenadora do GMEP, Francisca Duarte Pacheco, afirmou que as actuais emissões de CO2 associadas aos transportes em Portugal – estimadas em 17 megatoneladas – poderiam igualmente passar para 13 megatoneladas num cenário em que metade do parque automóvel português seja constituída por carros eléctricos.

Já a factura da mobilidade – estimada actualmente em 11 mil milhões de euros – passaria para 9 mil milhões num cenário de 160.000 carros eléctricos, e para 7,4 mil milhões de euros com 20% do parque automóvel eléctrico.

Caso metade dos carros em Portugal fossem eléctricos, declarou a responsável, os custos de utilização dos transportes em Portugal ficariam em 5,45 mil milhões de euros.

Os cálculos foram feitos pelo think tank Inteli, que participa no consórcio da rede de mobilidade eléctrica Mobi-e. Luís Reis, da Inteli, explica que os cenários traduzem “um sucessivo decréscimo na factura de mobilidade, ou seja, nos custos directos na utilização de veículos”. Estes custos, explica, “incluem o combustível e colocam um preço sobre as emissões” de CO2. Luís Reis ressalva que se trata de “aproximações, estimativas feitas com base num perfil de utilização de 11.000 a 12.000 quilómetros por ano e com um veículo do segmento C, com consumos na casa dos 7 litros aos 100 km”.

Para Francisca Duarte Pacheco “toda a evolução e penetração dos carros eléctricos é uma diminuição muito significativa da factura para o País”.

A Inteli também fez cálculos para a utilização individual do carro eléctrico, estimando reduções anuais de custos na ordem dos 560 euros para um utilizador individual num carro eléctrico e de cerca de 1.150 euros numa família de quatro pessoas. “Para uma empresa com uma frota de 10 carros”, acrescenta Luís Reis, “estamos a falar de poupanças de 11.300 euros”.

Sobre os pontos de carregamento dos carros eléctricos, Francisca Duarte Pacheco considerou que “a ideia é que qualquer um destes esteja acessível a qualquer um de nós, qualquer que seja o contrato com o comercializador da mobilidade eléctrica”. Portugal já conta com cerca de uma centena de pontos de carregamento, número que deverá subir para os 1.300 em 2011. “A rede de mobilidade eléctrica nacional vai ser gerida por uma unidade gestora que vai compatibilizar todos os fluxos de informação, energia e financeiros”. À margem da apresentação Francisca Duarte Pacheco referiu que o gabinete está a estudar a forma de actuação da futura entidade – para a qual ainda não há nome.

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