Better Place com dificuldades em entrar em Portugal

Publicado em 26 de Janeiro de 2010 |

A empresa que vai gerir as primeiras redes de carros eléctricos no mundo, em Israel e na Dinamarca, quer participar no projecto do carro eléctrico em Portugal, mas ainda não conseguiu discutir as suas propostas com o Governo.

“Mantivemos reuniões com vários parceiros, empresas do sector em Portugal, mas todas as discussões foram, de alguma forma, atrasadas pelas decisões do Governo. Estamos todos à espera de ver qual será a eficácia do projecto anunciado”, disse hoje à agência Lusa Shai Agassi, o director executivo da empresa Better Place.

“Não conseguimos chegar ao Governo português, não conseguimos discutir [as nossas ideias]. Mas se o Governo dissesse que está interessado, ficaríamos encantados por poder debater as propostas”, sublinhou.

A Better Place é uma operadora de serviços para carros eléctricos – parceira estratégica da fabricante Renault – e vai gerir, a partir de 2011, uma rede destes veículos em Israel e na Dinamarca, as primeiras do mundo, com pontos de carregamento lento e rápido e estações de serviço para troca imediata de baterias.

Shai Agassi conhece o projecto do carro eléctrico em Portugal, esteve desde o primeiro momento interessado em participar, mas as decisões do Governo levantam-lhe agora dúvidas.

“A questão em Portugal é que têm havido decisões e anúncios governamentais [sobre a rede] cujas implicações não estamos certos a 100%. Já se passaram três anos e ainda não vimos quaisquer progressos, pelo que não estamos certos de que exista espaço para uma empresa como a Better Place”, afirmou o responsável. “É difícil tomar decisões enquanto o Governo não tornar as coisas mais claras”, sublinhou.

A rede piloto de carros eléctricos arrancou em Portugal no ano passado e até 2012 deverá contar com cerca de 1300 pontos de carregamento lento (leva seis horas a obter carga completa) e rápido (entre 20 e 30 minutos).

A Better Place assinou na segunda-feira um acordo com um consórcio liderado pelo Hong Kong and Shanghai Bank (HSBC) para um financiamento de 247,4 milhões de euros, através do qual o banco entra para o capital social da empresa (passando a deter 10%).

A empresa considera “o acordo um dos maiores investimentos de clean tech [tecnologia limpa] na história, que coloca o valor da Better Place nos 1,25 mil milhões de dólares (cerca de 883 milhões de euros)”.

“Depois de um ano a estudar a nossa empresa e o nosso modelo de negócio, bancos como o HSBC e a Morgan Stanley validaram fortemente o nosso projecto, porque disseram que nós vamos mesmo fazer o que anunciámos. E disseram que o que vamos fazer será um negócio rentável”, disse Shai Agassi.

fonte: OJE

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